Canindé: AS AGRURAS DE UM MUNICÍPIO CASTIGADO

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VEM AÍ A MULHER BOMBA E QUEM IRÁ RECEBÊ-LA?

Por Luiz Eduardo Costa

Jornalista

Já está devidamente agendado. Será no dia 25 deste.

Vem aí a mulher bomba. Aquela que foi preventivamente afastada, e agora na solidão de um  palácio enorme e quase vazio,   sem ter nada produtivo para fazer, gira em torno do próprio umbigo, e  vagueia pelo país repetindo a cacofonia enjoativa: foi golpe, foi golpe.

Ninguém mais presta atenção aquele rito monótono do impeachment levado avante pelo Senado com desfecho absolutamente certo, mas  a mulher bomba quer apoio popular, numa tentativa desastrada de reverter o rumo já traçado do seu destino.

Com um nível acachapante de impopularidade,  alguém possuindo um mínimo de bom senso poderia imaginar-se capaz de reunir apoio suficiente para  reverter um quadro político que  lhe é totalmente adverso?

Quem imaginaria encontrar na dureza pétrea da cabeça da mulher bomba algum vestígio de sensatez?

Se houvesse esse resquício, por mais ínfimo que fosse, a empedernida estaria ainda ocupando o lugar onde lhe colocaram tantos milhões de eleitores.

A avalanche devastadora que a mulher bomba permitiu que desabasse sobre o país, fez com que a figura de um cafajeste que deflagrou o processo do impeachment fosse, equivocada e indevidamente,     decorada com uma auréola de heroísmo.  O cafajeste agora renuncia à presidência da Câmara. Trata-se de mais uma manobra ao que se diz, combinada numa reunião com o presidente Temer. Coisa vergonhosa e deplorável.

Resta saber se irá alguém ao aeroporto de Aracaju receber a mulher bomba, ou lhe fazer as honras imerecidas de uma Chefe de Estado saindo pela porta dos fundos. Saindo e deixando um rastro de desemprego, falências, estatais sucateadas, fundos de pensão esvaziados, a economia em recessão, um povo desesperançado, indagando, sem receber resposta decente: por que nos transformaram em carniça suculenta para tantos abutres?

 Mesmo assim, em busca de apoio e afagos, vai chegar por aqui a mulher bomba. Quem a teria convidado? Certamente não seria alguém que estivesse interessado nos resultados dessa próxima eleição agora, já, no dia dois de outubro.

O FEIJÃO QUE SUMIU E O “FEIJÃO” DA PONTE

O preço do feijão nosso de cada dia vai às alturas. A transformação do cereal plebeu em ingrediente custoso nos pitéus granfinos, anda a abalar as estruturas vulneráveis da nossa economia em descenso. Se o tomate, ou até mesmo o insípido chuchu (o legume, não o governador de São Paulo) conseguiram desfazer os cálculos econométricos do Banco Central e aceleraram a inflação, por que o feijão, assíduo freqüentador de pratos ricos e  pobres, não mereceria receber o título de fator inflacionário?

Em outros tempos a crise do feijão logo faria surgir fantasmas ou abantesmas conspiratórios. Sempre existiu entre nós aquela mania de atribuir a outros as culpas pelas nossas próprias mazelas. Dividimo-nos entre os que nos apontavam como perigosos inimigos , o “comunismo internacional” ou o “imperialismo americano”. E pouco nos demos ao trabalho de elencar os nossos próprios erros, causados aqui dentro por cada um de nós, no nosso dia a dia, ampliados pela rapinagem ou incompetência daqueles que erradamente elegemos. Talvez o feijão esteja assim tão escasso e inacessível, menos pelo clima do que pela ausência, no seu cultivo, das tecnologias que a EMBRAPA oferece ao agricultor, resultado da competência e  dedicação dos seus cientistas.

Mas para não perder o velho hábito viram na crise feijoeira o dedo vermelhíssimo dos irmãos Castro, os quase decrépitos mandatários de Cuba. A eles  Lula, “cúmplice da ditadura cubana” doou, faz tempo, 600 toneladas de feijão, e isso até agora desconjuntou os nossos estoques reguladores.

Seiscentas toneladas de feijão é exatamente a mesma quantia que o deputado federal Fábio Mitidieri informa que solicitou à COBAL para que fossem enviadas a Aracaju, mas, completou a informação denunciando o prefeito João Alves que esqueceu o feijão e o deixou apodrecer sem uso.

O que, sendo verídico, vem a comprovar a tese mais objetiva de que os erros devem ser encontrados principalmente aqui, entre nós mesmos.

 O feijão é alimento igualitário, freqüentador de todas as mesas. O muito pobre o consome agradecido pela sorte, o remediado o consome com gosto, o rico o consome um tanto contrafeito, disfarçando aquela preferência ausente dos cardápios sofisticados.

Mas todos se juntam de maneiras diversas em tôrno do prato de feijão.

Para determinar os efeitos da carestia (assim se chamava a inflação) sobre o consumo de alimentos e o bem estar da coletividade, o poeta Freire Ribeiro andou a formular teorias, aplicando uma metodologia muito pessoal e um método empírico-escatológico, também invenção sua.

Partindo da premissa de que o consumo do feijão entre a população pobre variava de acordo com o preço (ele nem conhecia o economês, nada sobre elasticidade ou inelasticidade da demanda)  Freire, freqüentador assíduo da Ponte do Imperador, onde pobres, sem duvidas, defecavam à noite, saía  durante o dia a prospectar os indícios de feijão, evidenciados e perceptíveis pelas cascas que restavam inteiras nos excrementos. De acordo com a fartura ou escassez daqueles “inequívocos testemunhos” ele anunciava com a face alegre e riso sarcástico, que lançava as bases sólidas, ou nem tanto, de uma radical teoria econômico-social-escatológica, perfeitamente aplicável à realidade brasileira .

Freire, fascinado leitor de Bocaccio e Cervantes, bem conhecia quanto vale uma sátira.

AS NOTICIAS MENOS RUINS DA PETROBRAS

O novo presidente da PETROBRAS Pedro Parente teve uma atenção a Sergipe e ao governador Jackson Barreto, que outros não demonstraram ter.

Ele, em meio à turbulência que enfrenta para salvar uma empresa destruída por má gestão, roubo e interferência desastrada do Estado, veio a Aracaju para expor ao governador como vai ser o futuro da empresa em Sergipe. Descartou, de inicio, a extinção da sede da região de produção em Aracaju, e anunciou a venda de ativos, entre eles poços terrestres e na plataforma, ficando a PETROBRAS nas parcerias a realizar em águas profundas de Sergipe com outras empresas, nacionais ou estrangeiras. Sabe-se que há um consórcio chinês-indiano interessado em ampliar atividades em Sergipe.

Jackson, agradecendo muito a Parente pela atitude até inédita que tomou, pediu-lhe especial empenho para desatar o nó de obstáculos criados pela burocracia da estatal, que está impedindo um investimento de um bilhão de reais em Sergipe.  Parente garantiu a Jackson que acompanhará pessoalmente o desenrolar das providências.

 COMO FICARIA A AL SEM LUCIANO BISPO?

É verdade, ninguém é insubstituível, mas, se a medida extrema da cassação do mandato do atual presidente do Legislativo Luciano Bispo for mesmo efetivada, haverá uma espécie de vácuo a ser preenchido depois de exaustivas e não muito confortáveis negociações políticas. Luciano recebeu a Assembléia no limbo do desprestígio, até da desmoralização pública, e conseguiu restabelecer o protagonismo e o prestigio, do Poder Legislativo, mesmo com a maioria dos seus integrantes sob enquadramento da Justiça, e dois deles impedidos até de pisarem na calçada do prédio da Assembléia. Luciano transita bem entre os poderes, mantém um relacionamento respeitoso que lhe permitiu solucionar impasses, entre eles o do polemico caso das subvenções. Ele teve, para isso, o pleno apoio político de todos os colegas, e o Legislativo tem vivido dias de tranqüilidade, o que permite a votação de matérias de interesse público.

Se for cassado Luciano receberá uma punição que ficou atrasada por 13 anos, e chegaria agora quando já deveria ter sido suspensa, se não por direito, pelo menos pela inoportunidade, e algum viés de incoerência, visto que Luciano, que não participou dos atos que derrubaram a imagem do Legislativo, está agora, exatamente, empenhado em reconstruí-la. Quem inspirou e motivou a derrocada, está contando tranquilamente os seus bois pelas veredas das Minas Gerais.

DOIS ILUSTRES SERGIPANOS

Sergipe num curto espaço de tempo perdeu dois exemplares filhos. Um, Roberto Constâncio Vieira fez história na vida empresarial, foi pioneiro, foi participante, deu continuidade em Sergipe às ações precursoras do seu pai Constancio Vieira, empresário que valorizava o trabalho, entendendo que sem ele o capital perdia sentido. Roberto quase despediu-se da vida quando morreu a sua companheira por mais de 70 anos e se foi logo depois.

Deixa um legado de projetos realizados e exemplos construídos aos seus descendentes e continuadores da obra. Roberto era destacada autoridade maçônica, integrante da Loja mãe, a Cotinguiba, em Aracaju, e fundador da Loja Piauitinga , na Estancia, onde se localiza a maior parte dos seus empreendimentos industriais.

O outro que se foi, Luiz Carlos Fontes de Alencar, construiu uma biografia perfeita de intelectual, magistrado, professor, doutrinador do Direito e Ministro do Superior Tribunal de Justiça. Luiz Carlos  pertencia a estirpe ilustre com raízes cearenses, que seu pai, o poeta e advogado Clodoaldo Alencar transplantou para Sergipe, e aqui se foi instalando   a produtiva “alencarcracia” da cultura, onde despontaram Hunald Alencar, o poeta que se foi pouco antes do irmão Luiz Carlos,  e está viva através de Alencar Filho, professor, poeta, escritor;  do jurista Jessé Alencar, e do professor e pintor  consagrado, Leonardo Alencar.

UMA MISSA PARA “BOCÃO”

Os amigos que dele não esquecem, principalmente nesses tempos tão turbulentos que vivemos, estão, ao lado da família, convidando para a missa que será celebrada pela passagem do primeiro ano do falecimento de Rosalvo Alexandre, o Bocão. Quanta falta nos faz o engenheiro agrônomo que aprendeu também a plantar sementes de transformações, sonhadas através da política, para isso vislumbrando situações e abrindo caminhos aos entendimentos e concordâncias em torno de objetivos nunca desprezados. Se vivo fosse, Rosalvo, como tantos que sonharam com esses objetivos, onde se incluíam Justiça, liberdade, igualdade, quase a utopia, estaria também frustrado agora pelos desatinos dos que colocaram os bolsos em primeiro plano. E jogaram no lixo a utopia. Há crime maior do que matar a utopia?

A missa será nessa segunda-feira às 17 horas na Igreja do São José. Rezaremos então por Rosalvo, e, quem sabe, pela ressurgência da utopia, sem tesoureiros, laranjas, operadores, doleiros, e tantos outros cafajestes similares.

 OS QUE ESTÃO DE OLHO NO SENADO

Laércio Oliveira é discreto, não tem aquela ânsia de aparecer que as vezes produz uma evidência sobre bases inconsistentes. Ele vai aos poucos construindo seu projeto político, e parece agora mirando o Senado. Seria um nome novo na disputa , certamente a ser bem avaliado.

 O mesmo objetivo de chegar ao Senado parece ser o do deputado Fábio Mittidieri. Se for vitorioso será um dos mais jovens senadores da República, mas ja revela boa dose de experiência política, e faz uma vitoriosa dobradinha com o pai, o deputado estadual e médico Luiz Mittidieri.

O empresário Ricardo Franco, ocupando a cadeira no Senado da senadora licenciada Maria do Carmo  embora antes inteiramente dedicado às atividades empresariais, vem se destacando pelas proposituras que tem feito, pelas idéias que tem defendido. Poderá tomar gosto com a atividade política e tornar-se candidato. O pai Albano Franco acompanha, vaidoso, o desempenho do filho e seria seu cabo eleitoral. Uma tarefa que também a sua mãe, a ex-ministra Leonor Barreto Franco sempre tem desempenhado, com sucesso para tantas pessoas, e viria a pedir votos para o próprio filho, coisa que ela sempre desejou fazer.

Fábio Henrique, Prefeito de Socorro até o final do ano, está pavimentando um caminho que não será exatamente o da Câmara Federal, e sim, bem mais ambicioso, direto ao Senado. Sai com boa avaliação do cargo, mas terá de aguardar os resultados de outubro.

A reeleição ainda não é uma idéia descartada pelo senador Valadares, e ele sempre surpreende quando menos se imagina que tenha fôlego bastante para novas disputas. Sobre ele sempre fala mais alto a própria biografia.

O senador Amorim depois do insucesso na disputa pelo governo estaria agora preparando a reeleição. Para isso quer formar novas alianças. Quando há polarização, o senador Amorim sempre terá boas chances, como ficou demonstrado nas últimas eleições, todavia, num pleito majoritário com muitos candidatos sua capacidade de somar votos  se reduz consideravelmente.

A grande surpresa seria o anuncio da candidatura de Jackson Barreto. Ele já declarou que encerraria sua carreira política com o término do seu atual mandato. Mas, como em política as imprevisibilidades sempre se tornam mais reais do que as previsões feitas, não seria de todo inoportuno considerar a candidatura de JB ao Senado. Sendo ele candidato e com força eleitoral, surge, quase de repente, o cenário para uma polarização, ainda mais diante de duas vagas disponíveis.

MAIS UMA DESEMBARGADORA

O Judiciário sergipano tem a peculiaridade de ser inovador, e tem inovado em diversos aspectos.

 A primeira mulher desembargadora no Brasil foi aqui Clara Leite Resende. Sua atuação eficiente foi abrindo caminho para outras mulheres. Hoje o Judiciário sergipano tem mais juízas do que juízes, e o Tribunal de Justiça uma proporção considerável de desembargadoras, agora ampliada com a indicação da Juiza Ana Lúcia Freire dos Anjos. Para a vaga de um desembargador tão virtuoso, que foi  Cláudio Déda,  irá uma desembargadora com as mesmas qualidades. Ana Lúcia era Defensora Pública e ingressou na magistratura em 1989. Ela é fundadora da Academia Sergipana de Letras Jurídicas e pós graduada  em Direito Constitucional e Processual Civil.

O Tribunal passa, com a posse de Ana Lúcia, a ter um casal de desembrgadores, o marido, Jose dos Anjos, e a esposa, a recém empossada. Parece ser caso único no país. Já tivemos uma família togada formada pelo desembargador Aloísio Abreu, sua esposa, a Procuradora de Justiça Izabel Abreu, e o filho Ricardo Múcio, Juiz de Direito. Hoje, Ricardo é desembargador, Aloísio, uma saudade, e Izabel está aposentada.

AS AGRURAS DE UM MUNICÍPIO CASTIGADO

Canindé, embora sendo um dos mais atraentes cenários paisagísticos do país, parece castigado por outros fatores adversos. O primeiro foi a violência e o saque que lá se instalaram por um ex-prefeito, até que a justiça e o Ministério Público puseram termo aos desatinos. Com a fuga do ex-prefeito e a posse de Rosa Maria o clima melhorou, a civilidade voltou a existir no município e na Prefeitura. Depois, foram eleitos Orlandinho Andrade e agora Heleno Silva, o município permanece em paz, não há ameaças de gente cercada por pistoleiros, todos vivem em paz, adversários se cumprimentam e convivem em harmonia. Mas veio outro fator inesperado: a continuada queda na receita que ocorre há dois anos.  Canindé tinha 7 mil habitantes, em pouco mais de 15 anos passou a ter algo em torno de 30 mil. A receita  em média superior a 11 milhões de reais, caiu para algo abaixo de 8 milhões. Agora o Ministério  Publico e a Justiça preocupam-se e agem para que sejam sanados os atrasos no pagamento de servidores. Sem sucesso o prefeito Heleno Silva luta na Justiça para recuperar a receita que depende em grande parte da Usina de Xingó, e foi indevidamente retirada do município.

O prefeito se vê num dilema: pagar aos servidores, atendê-los todos, ou deixar de levar água à população, de comprar a merenda escolar, os medicamentos, de manter em circulação os ônibus que servem a mais de 8 mil alunos no extenso município, onde, em alguns casos para  ir e voltar da escola o trajeto é    de 50 Kms. O prefeito espera  resolver muitos problemas caso receba uma emenda do deputado Joni Marcos e alguns recursos pendentes de repasse na Secretaria de Estado da Saúde, e ainda reduzir despesas com transporte escolar, quando chegarem  os ônibus prometidos pela Secretaria  da Educação.

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