OS INCÔMODOS AO LADO DO CANDIDATO

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OS INCÔMODOS  AO LADO DO CANDIDATO

Por Luiz Eduardo Costa, Jornalista

Já disse alguém, e não foi nenhum desses enfatuados  cientistas políticos: ¨ Candidato deve fazer como prostituta, fingir que goza .¨

De certa forma a política é a própria arte do fingimento, pelo menos quando ela tanto se desvirtua, como vem a ser o nosso caso, quando política e lupanares se assemelham.

O deputado Valadares Filho  é um jovem que tudo aprendeu acompanhando o pai, o  senador  Valadares, que tem mais de 50 anos de vida pública, e sem manchas graves que o desmereçam.   Vem de uma família com tradição política. Seu avô, Pedro Valadares,  foi um produtor de algodão. Pela forma como conduzia os seus negócios,  pelo trato solidário que ele e sua esposa Dona Caçula tinham com o povo pobre simãodiense ( naquele tempo pobre quase não comia e vestia-se com trapos)  abriram um espaço no cenário político municipal e se tornaram respeitados líderes. Pedro faleceu precocemente, Dona Caçula tornou-se a matriarca forte que manteve viva a liderança política da família.

Valadares Filho começou a vida publica no  Partido Socialista Brasileiro, no qual seu pai ingressara depois de afastar-se da área conservadora , reatar os laços rompidos com Jackson Barreto  e formar, com  o PT, um bloco que se propunha a renovar e revitalizar a política sergipana.

Quem está num partido que se intitula socialista, necessariamente, terá de colocar sobre  a sua trajetória política, pelo menos ,   uma réstia que seja daquilo que para a civilização ocidental significou o iluminismo,  a clarificação das mentes, a idéia de justiça,  a demolição do conceito de poder absoluto como dádiva divina, e a arte da política começou a diferenciar-se do manejo dos punhais e  da manipulação de venenos.

Hoje, essas questões  que dizem respeito à própria dignidade humana, e que eram fundamentais na época, adquiriram outra roupagem e permanecem mais desafiadoras do que nunca, principalmente para nós brasileiros.

É preciso fazer a reforma política,  renovar a política, é preciso  restabelecer a credibilidade dos políticos, limpar do palco da vida pública, pelo voto popular, as excrescências que nele  ainda permanecem.

Valadarizinho, jovem e socialista,  sem manchas de indignidades cometidas na vida pública, poderia tornar-se um porta – voz  acreditado dessas idéias.

Mas, como fará agora ouvida e insuspeita  a sua voz, tendo ao lado, como grande articulador,  um aliado   repleto de vastas ambições e destituído de idéias construtivas, ou, no mínimo, livres de suspeição ?

Foi exatamente por não terem sido atendidas as suas ilimitadas pretensões na Prefeitura de Aracaju, que Edivan Amorim  rompeu com o  prefeito e ex- sogro  João Alves, e agora quer, vingativamente, sufocá-lo.  Edivan não tem votos, mas sabe, como ninguém em Sergipe, manipular com maestria interesses ululantemente  patrimonialistas.

O retrato dessas manipulações ficou, publica e escandalosamente exibido nas atribulações por que passa o Poder Legislativo, nas agruras que estão agora vivendo os deputados, que, em ultima análise, foram quase  todos  vítimas das maquinações complicadas de quem controlava 11 partidos, e até a própria Assembléia.

Voltando ao parágrafo inicial dessas linhas, onde houve a comparação do político candidato com a prostituta fingidora, nos vem à memória o caso de uma sensual e bela  moradora de um lupanar freqüentado pela elite aracajuana. Ela tornou-se a preferida de um poderoso  ,  trôpego e exibicionista deputado, com o qual se esmerava mais ainda na farsa  de um orgasmo intenso e ruidoso, todavia inexistente. Depois, como a demonstrar que existe uma dignidade ferida naquelas que comerciam o corpo, a jovem, que fingia prazer escondendo a náusea, corria à uma janela e vomitava muito,  até lhe escorrer a bílis. Existem,  na realidade, como na ficção de Jean Paul Sartre, as Prostitutas Respeitosas. É preciso que a política lhes imite o exemplo.

JOÃO NADOU NADOU  E A PRAIA FICOU LONGE

Depois de ter  cometido erros sucessivos, talvez por não ter ouvido melhor o que lhe teria a dizer o experiente e leal amigo, seu vice, o engenheiro Jose Carlos Machado, João Alves esteve à beira de um colapso político no momento em que, por artes e manhas do seu ex- genro Edivan, se viu   numa quase desesperadora solidão.Para completar as suas desditas foi amplamente divulgada uma conversa particular reservada que o Vice- Prefeito Jose Carlos Machado tivera com um amigo, na verdade um crápula despossuído de dignidade e honra  que gravou-a, para cometer a canalhice de torná-la pública.

Apesar de todas as dificuldades, João, que parece crescer diante dos desafios e das adversidades, manteve a sua candidatura à reeleição, e terá o radialista e vereador Jailton Santana como vice. A senadora Maria do Carmo terá de montar acampamento diuturno na periferia de Aracaju.

JORNALISMO DO CANAL 4  SEM ¨ INTERVENTORES ¨

A prática é corriqueira na Rede Globo. A Central de Jornalismo sempre faz a designação de jornalistas dos seus próprios quadros para irem  chefiar o jornalismo das afiliadas. Quando as emissoras de TV nos estados são controladas por  empresários com atividades político-partidárias, as intervenções sempre ocorrem.

Agora, a Rede Globo confere à TV – Sergipe uma espécie de medalha de bom comportamento informativo e opinativo , sinal de que a emissora sergipana comandada pelo ex-governador Albano Franco, alcançou   o padrão global. O jornalista  Ricardo Marques, que é  dos quadros da própria emissora,  tornou-se diretor de jornalismo, isso, depois de mais de vinte anos de¨ interventorias¨. Ricardo reúne qualidades raras em um jornalista: Tem o faro de repórter, o texto de um cronista  e a aura pessoal que faz a perfeita imagem do apresentador.

ELIANE A CAMPANHA E O LEGADO DE DÉDA

Eliane Aquino, a viúva de Marcelo Déda, diz que nunca teve ambições políticas, embora sempre procurando exercer a  cidadania, defendendo o primado das idéias para qualificar a política, e a ela impor o compromisso republicano. Ela vê no exemplo de Déda um modelo de homem político a ser defendido e valorizado. Para manter vivo o legado de Marcelo Déda,  Eliane justifica a sua participação na política partidária, e agora a  presença na chapa liderada por Edvaldo Nogueira. A  campanha, entende Eliane, será a oportunidade para que  possa,  de forma mais abrangente, exaltar os valores da ética, da moralidade pública, que foram sempre as balizas que nortearam a caminhada virtuosa de Déda pelas estradas tantas vezes tortuosas  da prática política. Ela afirma que o seu modelo de homem público é o que foi construído pelo marido, que esteve no poder e despediu-se da vida deixando uma herança material de posses modestas, lícitas, e a tranqüilidade de consciência dos que cuidam  do patrimônio público com zeloso rigor.

 Para ela, um outro exemplo a ser exaltado e lembrado sempre ao povo sergipano, é o da vida simples e austera de Jose Eduardo Dutra. Presidente da Petrobras,  depois, diretor da enorme BR – Distribuidora, Ze Eduardo, enquanto a vida se lhe esvaía, tinha o alento e a tranqüilidade para   acompanhar as notícias sobre o mexer e remexer  feito pela Lava Jato na Petrobrás, sem que  aparecesse qualquer indício de irregularidade por ele cometida.

Eliane afirma que não estaria no palanque de Edvaldo Nogueira se não houvesse acompanhado a sua vida pública e constatado que ele é um seguidor dos mesmos princípios republicanos defendidos por Marcelo Déda. Tanto assim que foi Prefeito de Aracaju durante 5 anos sem que nenhuma atitude indigna lhe fosse imputada.

QUANDO A IGREJA TERÁ UMA PAPISA?

O Papa Francisco é o reformador que a Igreja Católica precisava para acompanhar o evoluir do mundo nessa caminhada de dois milênios. Adaptar-se ao novo sem perder a essência da tradição contida nos ritos, nos fundamentos da fé, é o que faz o corajoso pontífice que parece ter sido providencialmente elevado ao chamado Trono de São Pedro para dar  nova vida a uma Igreja  que parecia ignorar as mudanças que aconteciam na sociedade, e desprezadas pela maioria dos cardeais dogmáticos e apegados a um conservadorismo exacerbado. Todavia, fizeram vista grossa para a pedofilia que não poupou os altares, e quando revelada, gerou uma indignação do tamanho da hipocrisia daqueles que pregavam uma moral rígida , condenavam o homossexualismo,  carimbavam o sexo com o estigma do pecado capital, a luxúria, símbolo da devassidão, da qual os fieis deveriam fugir.

 Francisco, o corajoso  corregedor de tantos deslizes, hipocrisias e omissões, quer agora romper a barreira contra a participação  das mulheres na atividade sacerdotal. Por que mulheres não podem ser sacerdotisas ?

É algo preconceituoso, inexplicável essa descriminação, principalmente, quando se observa que a participação feminina na vida de

cada paróquia é bem maior do que a dos homens. Basta, para constatar essa realidade, que se contem as mulheres presentes a uma missa, ou as que recebem  a comunhão. Homem vai a missa  em menor quantidade, e são menos ainda os que comungam.

No passado  houve até o argumento de que a mulher seria impura, porque menstrua, e  ¨ naqueles dias¨ não estaria ¨limpa¨ para levar a hóstia à boca dos fieis. Nessa visão medieval e agressivamente machista, o homem limpinho, puro, nem iria ao sanitário fazer o mesmo que as mulheres fazem. Enquanto isso, os padres e cardeais pedófilos, estavam também a comandar o rendoso Banco do Vaticano. Mas essa já é outra História….

O sereno, sensato e justo Francisco, é mesmo um homem providencial.

Francisco quer começar permitindo que mulheres sejam diaconisas, depois,  tornariam  sacerdotisas, monsenhoras, cônegas, bispas, cardeais e papisas. Na História da Igreja já houve uma acidental Papisa. Mas isso já é outra história…..

A fé muçulmana não permite o ingresso das mulheres nas mesquitas.  Mas essa também já é outra história. E perigosa.

DE FATO E DE FICÇÃO

Chegamos a uma fronteira onde o fato e a ficção  se misturam. E o fazem de tal forma, e o fazem tão rápido, que nem tivemos tempo ainda de parar, e sobretudo de refletir.

Quando acabou o ano 1984, dissemos: Olha ai não aconteceu. Onde está o Grande Irmão, o Big Brother, poderoso, envolvido naquela bruma de mistérios que separa todos os ditadores  da gente comum, que os afastam até do mundo real ?

Onde estão as câmeras  intrometidas, fiscalizando todos em todos os lugares ?

Onde estão os agentes do Estado  se imiscuindo na vida, monitorando os passos e o pensamento das pessoas ?

 No réveillon de 1985, o ano que findava não confirmou a previsão sinistra feita pelo escritor George Orwell no livro a que deu o título sintético e numeral: 1984. Naquele ano, segundo a futurologia orweliana , o mundo seria uma espécie de  prisão virtual, onde o Big Brother estaria presente, atento, vigilante, estendendo vistas e ouvidos por todas as casas, apartamentos, fábricas, escolas, ruas, estradas, campos, utilizando-se dos recursos ilimitados da tecnologia, da ciência posta a serviço da dominação  da humanidade.

George Orwell escreveu suas previsões aterradoras pouco depois de combater, como voluntário, nas tropas anti-fascistas, derrotadas na Guerra Civil Espanhola.  O mundo caminhava para a Segunda Grande Guerra e ele assistia amedrontado a ascensão dos  estados totalitários. O escritor morreu cedo, aos 47 anos em 1950, e nem pode confirmar ou desmentir o que houvera previsto.  Ele nem imaginaria que o seu Big Brother seria transformado num show de sacanagens: o cabaré virtual onde o sexo vira mercadoria, na engrenagem capitalista que Orwell  detestava.

Sem exageros agora podemos afirmar:  1984 está ai, presente agora três décadas depois.

Mergulhamos no mundo virtual. E ele é perigoso. Se não temos ainda o Big Brother , estamos em vias de criar um Estado policialesco, estimulado pelo pavor que espalham os terroristas, pelo calafrio que perpassa as espinhas dos poderosos do mundo, sentindo que são vulneráveis a um hacker qualquer, instalado longe, no terceiro mundo em alguma  favela imunda de Bangladesh ou do Burundi.

As pessoas há muito tempo deixaram  conversar vendo uma o olho da outra. Apenas digitam, olham as telinhas. Quando aqui no Brasil a delação premiada tornou-se moda, ou modismo, veio com ela a banalização da escuta telefônica como arma da policia e da Justiça. Só que esses instrumentos de intromissão não ficam sobre o controle da sociedade, são  restritos os que a ele têm acesso. Em qualquer  ¨cacete- armado¨ vendendo  buginganga chinesa se compra aparato eletrônico  de espionagem e invasão.

E de tanto banalizar o que antes seria inadmissivel, que é a violação pelo Estado ou por quem quer que seja da intimidade e da inviolabilidade do pensamento e das manifestações  das pessoas, agora, qualquer canalha pode tirar proveito da molecagem eletrônica e com ela tornar-se um herói delator.

É, embora tardiamente , o Big Brother de Orwell chegou, está entre nós, e causando estragos. A ele ficamos todos submetidos e inertes.

O Big Brother,  depois,  faz acordos de leniência e vai morar em  Itaipava .

 DO JEITO E DOS JEITINHOS OLÍMPICOS DO BRASILEIRO

O jeitinho brasileiro é o meio termo entre a malandragem e a virtude, Com ele temos vivido, sobrevivido, e com ele nos inventamos e reinventamo-nos. Jeitinho ou quebra- galho, eis a fórmula inteligente, a solução macunaímica para os nossos males. Nem é preciso perder por inteiro o caráter, para que recorramos ao jeitinho. Macunaíma, o herói sem caráter, que já se quis identificar com a personalidade ou característica do brasileiro, nem era assim, dele tão desprovido . Era alegre, fornicador , e  também , as vezes, solidário irmão da sua gente. Um dia, ainda, alguma empavonada autoridade erigirá uma imponente estátua ao jeitinho brasileiro. Se não houver recursos, nem projetos para a obra, dar-se-á um jeitinho, se encontrará a solução do quebra – galho. E logo se fará, do monumento, uma enorme gozação, uma piada pronta. Do jeitinho nada escapa, nem dele mesmo.

Gostam de  escrachar o jeitinho brasileiro, de considerá-lo uma afronta à ética, à moral e aos bons costumes, eis porém, que o mundo se rende a ele, o nosso espancado jeitinho, e enxerga naquele majestoso, apoteótico, emocionante espetáculo que foi a abertura desta Olimpíada antes tão malsinada, a força, a capacidade, a inteligência, a tenacidade que tem o brasileiro para dar jeitinhos. Jeitinhos na crise, jeitinho na decepção, na desesperança, jeitinho para aquietar a odiosidade que nos contaminou, jeitinho na dureza da vida, jeitinho para driblar tudo de ruim e sair saracoteando, pulando, fazendo festa. Fazendo aquela festa olímpica, a maior   e mais bonita de todos os tempos. Tudo isso porque o jeitinho é nosso, brasileiro, privilégio dos duzentos e quatro milhões de macunaímas  jeitosos que vivem nesta   Pindorama  que  se chamou Brasil. Com jeitinho aplaudimos tudo na festa da Olimpíada, e demos também  sonora vaia no Temer. Foi o jeitinho melhor de dizer a ele: Não tire proveito político daquilo que você não fez. O jeitinho brasileiro  ,  descontraidamente, sem partidos nem militâncias, leva ao equilíbrio político , e se Lula ali estivesse,   também receberia a sua vaia.

O jeitinho brasileiro, essa descontração, essa tendência para desconstruir  mitos e personalismos, logo tornou ridículos os nossos ditadores, os generais de cara fechada, e não se conforma com minutos de silêncio nem com cerimoniais alongados. Há, nesse jeitinho, um viés anárquico nos induzindo ao culto de uma liberdade meio bagunceira .  Reprovamos  preconceitos, olhamos com certa  ironia para  tudo aquilo com a forma de poder ou autoridade.

É preciso que tenhamos orgulho dele, do Brasil, e do jeitinho brasileiro . Ele é nosso,  e ninguém tasca.

  O CAPIM QUE CRESCE NAS ESCOLAS PÚBLICAS

É preciso que, de vez em quando, alguma ação de um governo assolado pela crise, venha a se transformar num momento para  que se aproxime mais da coletividade. Foi o que fez o Secretário da Educação Jorge Carvalho ao organizar um evento para  assinatura de contratos de reformas em 72 escolas.  Dias antes, Jorge acompanhou o governador Jackson Barreto para uma vistoria surpresa que  queriam  fazer numa escola sobre a qual  havia reclamações. Quando lá chegaram viram o capim crescendo, uma cena de descaso e abandono. Na mesma hora Jackson e Jorge deram inicio à limpeza, e foi providenciada a exoneração da diretora omissa. Os alunos gostaram da cena, aplaudiram Jackson e Jorge. Há uma sintonia entre a escola pública e os estudantes, que falam, opinam, participam, e para a manutenção desse elo, Jorge diz que é fundamental a participação da secretaria adjunta, a professora Marieta. Na assinatura dos contratos lá estavam representações das lideranças estudantis, professores, sindicalistas. Diziam os estudantes ao microfone: estamos reconhecendo agora os esforços feitos, mas estamos de olho, vigilantes.

Isso é bom, isso se chama democracia participativa, isso tonifica a sociedade.

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